Resposta curta: Os dados de poços artesianos do Brasil ficam no SIAGAS, o Sistema de Informações de Águas Subterrâneas do Serviço Geológico do Brasil, com consulta pública em siagasweb.sgb.gov.br. Quando o poço foi cadastrado, aparecem localização, profundidade, nível da água, vazão e, às vezes, o perfil. Em Roraima, todo poço regularizado na FEMARH vai acompanhado do formulário do SIAGAS.
Antes de furar, a melhor informação que existe é a dos poços que já foram furados por perto. Ela diz em que profundidade outros encontraram água, onde apareceu rocha e quanto os poços renderam. Essa informação existe, é pública e quase ninguém olha. A base é o SIAGAS.
O que é o SIAGAS
O SIAGAS é o banco nacional de poços mantido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB, antiga CPRM). Ele reúne fichas de poços tubulares e de outros tipos de captação de água subterrânea de todo o país, com dados de construção, de geologia, de teste de bombeamento e de qualidade da água, quando esses dados foram informados.
A palavra que mais importa aí é “quando”. O SIAGAS é alimentado por cadastros de várias origens, em épocas diferentes. Alguns poços têm ficha completa, outros só têm coordenada e profundidade. Saber disso muda a forma de usar o dado. Não confunda com o SNIRH, da ANA, que trata de recursos hídricos em geral; a diferença está no texto sobre o banco de dados nacional de recursos hídricos.
Que dados de poços artesianos dá para encontrar
| Dado da ficha | O que significa | Como a gente usa antes de furar |
|---|---|---|
| Localização e município | Onde o poço está | Achar os poços mais próximos do terreno |
| Profundidade | Até onde o poço foi | Ter uma referência de profundidade para a área |
| Nível estático | Profundidade da água com o poço parado | Estimar onde a água costuma ficar |
| Vazão e nível dinâmico | Resultado do teste, quando houve | Ter uma ideia do que os poços da área entregaram |
| Perfil geológico e construtivo | Camadas atravessadas, revestimento, filtros | Ver se outros encontraram rocha e a que profundidade |
| Tipo de aquífero | Poroso, fissural ou cárstico | Prever o método de perfuração |
| Qualidade da água | Resultados de análise, quando anexados | Saber se há algo na água da área que pede atenção |
Como consultar o SIAGAS
O acesso é pelo site siagasweb.sgb.gov.br. Em linhas gerais, dá para pesquisar poços por estado e município ou localizar pelo mapa e abrir a ficha de cada poço. A aparência e os nomes dos menus mudam com o tempo, então vale explorar o site com calma.
Quando abrir uma ficha, confira três coisas antes de confiar no número: a data, a distância até o seu terreno e se a vazão veio de teste ou foi só declarada.
Como a Natural usa esses dados antes de furar
A gente estuda antes de executar. Nesse estudo, os poços vizinhos são a primeira camada: profundidade, nível, vazão e, principalmente, o perfil, que mostra se a área é de sedimento ou se a broca vai encontrar rocha. Isso pesa na escolha do método, no tipo de máquina e no orçamento.
Esse dado é cruzado com a geologia do lugar. Em Roraima há áreas de sedimento, como o Sistema Aquífero Boa Vista, onde a água está nos poros da areia, e grandes áreas de rocha cristalina, onde a água fica no manto de alteração e nas fraturas. Onde a dúvida é maior, o estudo segue para o estudo geofísico, que olha o subsolo do próprio terreno.

Por que todo poço regularizado entra no SIAGAS
Na regularização em Roraima, o relatório do poço vai para a FEMARH acompanhado do formulário de água subterrânea do SIAGAS. Ele traz natureza do poço, profundidade, data de construção, tipo de aquífero, revestimento e diâmetro, condições sanitárias (laje, tampa, cercado), dados do teste de bombeamento e da qualidade da água, e os dados precisam ser digitados, não escritos à mão. O caminho completo está no guia de regularização do poço em Roraima.
Um detalhe de honestidade que a gente segue no preenchimento: parâmetros como coeficiente de armazenamento só se determinam com poço de observação, e transmissividade e condutividade hidráulica só quando o teste permite interpretar. Se o dado não existe, o campo fica em branco. Número inventado num banco público engana o próximo que for furar ali do lado.
Quais são os limites do dado público
O dado de poço vizinho orienta, mas não decide. Os motivos são concretos:
- Nem todo poço está cadastrado. O poço do vizinho pode simplesmente não aparecer.
- Dado antigo. No cadastro de poços usado no Zoneamento Ecológico-Econômico de Roraima, por exemplo, os poços classificados em rocha fraturada vêm de dados de 1980 a 1999.
- Ficha incompleta. Muitos poços têm profundidade, mas não têm teste nem perfil.
- Vazão declarada não é vazão medida. Sem teste de bombeamento, o número é estimativa.
- Rocha muda em poucos metros. Em aquífero fissural, um poço pega uma fratura produtiva e o do lado não pega. A vazão de um não se transfere para o outro.
É por isso que o dado público é ponto de partida, e o estudo do terreno é o que reduz o risco. O raciocínio completo está em como saber se existe água no meu terreno.
O que a gente vê em campo
É comum o cliente chegar com a informação “o vizinho achou água a tantos metros”. É um bom começo, e a gente usa. Mas a primeira pergunta é: esse poço tem perfil e teste? Quase sempre a resposta é não. Aí a conversa muda de “vou furar na mesma profundidade” para “vou estudar o meu terreno e usar o vizinho como referência”. As obras que a Natural já fez, 82 obras de poço desde 2020 entre poços perfurados e estudos geofísicos, estão no mapa de obras.

Checklist para ler a ficha de um poço vizinho
- Distância até o seu terreno e se está na mesma unidade geológica.
- Data de construção.
- Profundidade total e em que profundidade apareceu rocha, se houver perfil.
- Nível estático.
- Vazão e se ela veio de teste de bombeamento.
- Uso do poço e se ele ainda está em operação.
Por onde começar no seu terreno
Faça a busca no SIAGAS pelo seu município e anote os poços mais próximos. Depois, manda pelo WhatsApp a localização do terreno e o uso que você quer dar à água; a gente cruza com a geologia e com as obras que já fez na região e diz se o caso é de semi-artesiano, de poço profundo ou de estudar antes.
Perguntas frequentes
A consulta ao SIAGAS é paga?
Não. A consulta às fichas de poços é pública e feita pelo site do SIAGAS, do Serviço Geológico do Brasil.
Meu poço aparece no SIAGAS?
Só se foi cadastrado. Em Roraima, o poço regularizado na FEMARH segue com o formulário do SIAGAS. Poço feito sem regularização normalmente não aparece.
Dá para saber se tem água no meu terreno só pelo SIAGAS?
Não. O SIAGAS mostra o que outros poços encontraram. Ele orienta o estudo, mas a resposta para o seu terreno vem da geologia local e, quando necessário, do estudo geofísico.
SIAGAS e SNIRH são a mesma coisa?
Não. O SIAGAS é a base de poços do Serviço Geológico do Brasil. O SNIRH é o sistema de informações sobre recursos hídricos da ANA, mais amplo, com chuva, rios e usuários de água.
