Resposta curta: Para achar um poço da CAER no mapa, ou qualquer poço cadastrado perto da sua casa, a consulta pública mais completa é o SIAGAS, do Serviço Geológico do Brasil, que mostra a ficha de cada poço registrado. O SNIRH, da ANA, reúne outros dados de recursos hídricos. Esses dados ajudam a ter uma referência da região, mas não dizem como será o seu poço e não dão direito de usar poço público.
Quem procura o poço da CAER no mapa geralmente quer uma de duas coisas: saber se tem água subterrânea perto de casa ou descobrir a que profundidade os poços da região chegam. As duas perguntas fazem sentido, e dados públicos ajudam a responder parte delas. A outra parte só o seu terreno responde.
Onde ver os poços cadastrados perto da sua casa
O principal banco público de poços do país é o SIAGAS, o Sistema de Informações de Águas Subterrâneas, mantido pelo Serviço Geológico do Brasil. Ele guarda os poços que foram cadastrados por órgãos públicos, companhias de saneamento, empresas e profissionais. A consulta pública permite procurar poços por estado e município e abrir a ficha de cada um.
O SNIRH, o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos coordenado pela ANA, reúne informações de água do país inteiro: mapas, cadastros de usuários, outorgas, estações de monitoramento. Para quem quer entender o quadro geral da água numa região, é um bom ponto de partida. Para dado de poço, o SIAGAS costuma ser mais direto.
Os menus desses portais mudam de tempos em tempos, por isso não vale decorar caminho de clique. O roteiro geral é o mesmo: escolher Roraima, escolher o município, listar os poços e abrir a ficha dos que estão mais perto do seu endereço. Um passo a passo mais longo sobre esses bancos está nos textos sobre dados de poços em Roraima e sobre o banco nacional de recursos hídricos.
O poço da CAER aparece nesses mapas?
Poço de abastecimento público aparece quando foi cadastrado no banco. Mas não espere encontrar todos. Alguns são antigos e entraram no banco com poucos dados. Outros nunca foram lançados. E a coordenada de um poço antigo pode estar deslocada alguns metros, ou mais.
A gente também mostra no site as obras que a Natural já fez em Roraima e na região de Lethem, no mapa de obras. São 82 obras de poço desde 2020, entre 66 poços perfurados e 16 estudos geofísicos. O mapa mostra onde a gente já trabalhou, não os dados técnicos de cada poço.
O que dá para tirar da ficha de um poço vizinho
Quando a ficha está bem preenchida, ela é uma aula sobre o subsolo da vizinhança. Quando não está, ela engana. Saiba o que olhar e como ler cada campo:
| Campo da ficha | O que ele indica | Cuidado na leitura |
|---|---|---|
| Profundidade | Até onde aquele poço foi perfurado | Não é a profundidade que o seu vai precisar. Depende do aquífero e do uso. |
| Perfil geológico | Que camadas apareceram: areia, argila, rocha alterada, rocha sã | Ajuda a saber se a região é de sedimento ou de rocha, o que muda o método de perfuração |
| Nível estático | A que profundidade a água fica com a bomba parada | Muda com a estação do ano e com a data da medição |
| Nível dinâmico | Até onde o nível baixa com a bomba ligada | Só vale se veio de teste de bombeamento |
| Vazão | Quanto aquele poço entregou no teste | Vale para aquele poço, naquele ponto. O vizinho pode dar muito diferente. |
| Análise de água | Parâmetros medidos em laboratório | Mostra a água daquele poço na data da coleta. A do seu precisa de laudo próprio. |
O dado mais útil, na nossa experiência, é o perfil geológico. Ele diz se você está numa área de sedimentos, como o Sistema Aquífero Boa Vista na região da capital, ou numa área de rocha cristalina, onde a água está no manto de alteração e nas fraturas. Isso muda o método, a profundidade e o custo da obra.

Quais são os limites desses dados públicos
O banco é tão bom quanto quem preencheu. Nem toda ficha foi conferida, e muita coisa entrou sem teste de bombeamento ou sem perfil. Use os dados como referência regional, nunca como promessa para o seu terreno.
- Dado antigo: o nível medido há anos pode não ser o de hoje.
- Dado incompleto: muitas fichas trazem só coordenada e profundidade.
- Vazão sem teste: um número que foi estimado na entrega do poço parece igual a um medido.
- Coordenada imprecisa: o ponto no mapa pode não ser o lugar exato do poço.
- Poço que não existe mais: poço desativado ou tampado pode continuar no banco.
Em área de rocha, a diferença entre dois poços próximos pode ser grande, porque a água depende de fratura e de alteração da rocha, que variam em poucos metros. Por isso, num poço fundo, quem decide o ponto é o estudo geofísico, não a ficha do vizinho.
Posso pegar água do poço da CAER?
Não. Poço de abastecimento público pertence ao sistema da companhia e alimenta a rede. Ele não é ponto de coleta para uso particular, e mexer nele é mexer na água de um bairro inteiro. Se a sua rua tem rede, a água da CAER chega pela torneira. Se não tem, o caminho é um poço próprio, regularizado.
Ter rede pública na rua também pesa no poço particular. Em área urbana, a análise da FEMARH para poço é mais restrita, e a gente verifica a situação antes de prometer regularização.
O que a gente vê em campo
Quando a gente prepara um estudo, olhar os poços cadastrados por perto é um dos primeiros passos, junto com o mapa geológico. Mas o dado vizinho só indica o tipo de terreno. No Amajari, em 2026, o estudo geofísico com uma linha de 100 m e o poço de 60 m que veio depois mostraram rocha alterada até o fundo, com as entradas de água entre 15 e 40 m e vazão medida de 3,5 m³/h. Esse resultado é daquele ponto. Um poço a poucas centenas de metros pode responder diferente.
Por onde começar no seu terreno
Use a consulta assim:
- Procure no SIAGAS os poços do seu município e identifique os mais próximos do seu endereço.
- Anote profundidade, perfil geológico, nível estático e vazão de cada um, e a data.
- Veja se os vizinhos furaram sedimento ou rocha. Isso já diz se o seu caso tende a semi-artesiano ou a poço profundo.
- Desconfie de ficha sem teste de bombeamento ou sem perfil.
- Leve esses dados para a conversa com quem vai estudar o seu terreno.
Se quiser, me manda pelo WhatsApp (95) 98109-5431 a localização do terreno e o uso da água. A gente cruza com o que conhece da região e diz se é caso de semi-artesiano ou de poço profundo, e o que precisa estudar antes de furar.
Perguntas frequentes
O SIAGAS é gratuito?
Sim, a consulta pública ao SIAGAS é aberta e não precisa de pagamento.
Se o poço vizinho deu água, o meu também vai dar?
Não há como garantir. O vizinho mostra o tipo de terreno da região, mas a água depende do aquífero exatamente embaixo do seu ponto. Estudo do subsolo e teste de bombeamento é que dizem.
Meu poço vai aparecer no SIAGAS?
O formulário de água subterrânea do SIAGAS acompanha o cadastro ou a outorga do poço na FEMARH, então o poço regularizado tem os dados registrados no órgão. Se e quando ele aparece na consulta pública depende do lançamento no banco, que não é feito pelo dono do poço.
Dá para saber a qualidade da água pelo mapa?
Não para o seu poço. A ficha de um poço vizinho pode trazer análise, mas a água do seu só é conhecida com laudo de laboratório, pelo padrão da Portaria GM/MS nº 888/2021.
