Resposta curta: A perfuração de poços em Roraima esbarra em desafios bem concretos: a geologia muda muito (sedimento perto da capital, rocha cristalina ou vulcânica na maior parte do estado), a chuva fecha acessos de abril a setembro, todo o material sai de Boa Vista, falta espaço em linha reta para a geofísica e o poço precisa de registro na FEMARH. Tudo isso se resolve com estudo e planejamento antes de mobilizar.
Quem perfura só na capital conhece um tipo de subsolo. No interior de Roraima é outra obra. Aqui a gente junta o que pesa de verdade no campo, com o caso de um poço feito em 2026 no Amajari para mostrar como as decisões são tomadas.
Por que a geologia muda tanto de um município para outro
O estado tem dois grandes domínios de água subterrânea. Um é o intergranular, de sedimentos, onde está o Sistema Aquífero Boa Vista: a água fica nos poros entre os grãos. O outro é o fraturado, sobre rochas cristalinas e vulcânicas, que ocupa a maior parte do território (Roraima, ZEE; CPRM, 2016). No norte, na região do Amajari, por exemplo, aparecem rochas vulcânicas e granitoides antigos.
No domínio fraturado, a água está em dois lugares. Primeiro no manto de alteração, a rocha decomposta que fica por cima e que, no estado, pode chegar a cerca de 30 m de espessura. Depois, nas fraturas da rocha sã. Por isso muitos poços em rocha fazem captação mista: filtros no manto de alteração e entradas nas fraturas que produzem (Campos, 2003). Onde o manto é argiloso e fino e a rocha é maciça, a vazão pode ser muito pequena.
Na prática, isso muda o método (rotativo em sedimento, rotopneumático com compressor e martelo em rocha), a profundidade e o custo. Os fatores de preço estão em qual é o custo para perfurar um poço artesiano em Roraima.
Chuva, estiagem e acesso à obra
O regime de chuva de Roraima é diferente do resto da Amazônia. Em Boa Vista, o período chuvoso vai de abril a setembro e concentra cerca de 80% da chuva do ano; de novembro a março é a estiagem (Silva et al., 2015). Para quem leva uma perfuratriz num caminhão 4×4 por vicinal, isso define a agenda: na chuva, estrada de terra e área alagável podem travar a entrada e a saída da máquina.
A chuva também mexe na leitura do poço. Num aquífero livre como o de Boa Vista, o nível d’água sobe no fim da estação chuvosa e costuma estar mais baixo entre março e abril (Wankler, Evangelista e Sander, 2012). Por isso a data do teste entra na interpretação do nível estático e no dimensionamento da bomba.
Logística, quando tudo sai de Boa Vista
Tubo, pré-filtro, cimento, bomba, cabo, combustível: todo o material sai de Boa Vista. A obra viaja com perfuratriz própria, compressor, caminhão 4×4 e equipe de quatro pessoas. Esquecer uma peça no interior pode custar um dia de viagem, então a lista de carga é conferida antes de sair.
A gente já tem obras em Boa Vista, Amajari, Bonfim, Cantá, Normandia, Pacaraima e Lethem, na Guiana. Na fronteira, o planejamento é maior, porque equipamento e material atravessam junto com a equipe. Dá para ver a distribuição no mapa de obras.
Falta espaço para a geofísica no terreno
A Natural usa eletrorresistividade com equipamento próprio, no arranjo de caminhamento elétrico polo-polo: uma linha de cerca de 100 m com estacas a cada 10 m e dois eletrodos remotos fora da linha. Nessa linha são feitas 55 leituras, e a investigação chega na ordem de 35 m de profundidade.

O limite real é o espaço. As configurações que investigam mais fundo pedem linhas bem mais longas, e a maioria dos terrenos não tem esse espaço em linha reta. Quando tem, a gente estende a linha ou faz sondagem elétrica vertical. Por isso a geofísica define onde perfurar; a profundidade final é decisão de projeto. E não existe cor de água na seção: zonas de menor resistividade indicam material mais úmido, argiloso ou fraturado, e quem interpreta é o geólogo, junto com a geologia local. Mais em estudo geofísico para poço artesiano.

O caso do Amajari, do estudo ao teste
Em 2026, numa comunidade no município do Amajari, o trabalho começou pelo estudo geofísico: caminhamento polo-polo com estacas a cada 10 m numa linha de 100 m. Definido o ponto, o poço foi a 60 m.
O perfil saiu todo em rocha alterada, sem rocha sã até os 60 m, argilosa na maior parte. As entradas de água ficaram entre 15 e 40 m. No teste de vazão, o poço entregou 3,5 m³/h. A lição de campo: em rocha alterada, a água entra pelo saprolito e pelas fraturas, e quem diz a bomba e a vazão é o perfil e o teste, não a vontade de ninguém.
Regularização na FEMARH, também no interior
Todo poço tubular ou cacimba precisa ser cadastrado na FEMARH, com coordenada. Até 1 L/s (3,6 m³/h) o uso é insignificante e o registro é por cadastro; acima disso é outorga de direito de uso. O pedido de outorga de água subterrânea exige ensaio de bombeamento, por isso o teste feito na entrega do poço já serve de base. O roteiro completo está em como regularizar um poço artesiano em Roraima.
Os desafios e como a gente lida com cada um
| Desafio | O que causa | Como a gente lida |
|---|---|---|
| Geologia variável | Método, profundidade e vazão imprevisíveis | Mapa geológico, geofísica e perfil registrado metro a metro |
| Rocha antes do previsto | Furo para de avançar com o método rotativo | Compressor e martelo; trecho em rocha cobrado por metro, avisado antes |
| Chuva e acesso | Máquina presa, obra parada | Agenda pela estação e checagem do acesso antes de mobilizar |
| Logística longa | Peça faltando vira dia perdido | Carga conferida em Boa Vista antes de sair |
| Pouco espaço para a linha | Investigação mais rasa | Geofísica para escolher o ponto; profundidade decidida em projeto |
| Regularização | Poço sem registro | Teste, relatório, ART e processo na FEMARH |
O que conferir antes de chamar a perfuração no interior
- Localização exata (coordenada ou ponto no mapa).
- Como é o acesso na época prevista para a obra.
- Se há energia perto do ponto do poço.
- Quanto de água você precisa por dia e para quê.
- Se o terreno tem espaço livre em linha reta para a geofísica.
- Documento de posse do imóvel, que vai ser pedido na regularização.
Por onde começar o seu poço no interior
Manda pelo WhatsApp (95) 98109-5431 a localização e o uso da água. A gente olha a geologia da área, diz se o caso pede estudo antes e já calcula a logística até o seu terreno. Se ainda estiver pesando se compensa, leia vale a pena perfurar um poço artesiano em Roraima.
Perguntas frequentes
Dá para perfurar poço na época de chuva em Roraima?
Dá, quando o acesso permite. O que a chuva costuma travar é a entrada e a saída do caminhão com a perfuratriz em estrada de terra e área alagável, por isso o acesso é conferido antes.
Quanto tempo leva um poço profundo no interior?
A execução de um poço profundo fica entre 10 e 15 dias úteis. Só a perfuração de um poço de 60 m leva de 3 a 5 dias.
Poço em rocha sempre tem água?
Não. Ninguém sério garante o subsolo. Em rocha, a água depende do manto de alteração e das fraturas; o estudo geofísico reduz o risco de furar no lugar errado.
Em quais municípios a Natural já perfurou?
Boa Vista, Amajari, Bonfim, Cantá, Normandia, Pacaraima e Lethem, na Guiana. O atendimento cobre toda Roraima.
