Resposta curta: A profundidade do poço se define em etapas. A geologia diz que tipo de aquífero existe no local, os poços vizinhos mostram onde a água apareceu, a geofísica escolhe o ponto e a SEV estima onde começa a rocha, e o projeto fixa a meta. Durante a perfuração, a descrição das amostras (o perfil litológico) confirma ou corrige essa meta.
Se você quer saber os números típicos de profundidade por tipo de terreno em Roraima, eles estão em quantos metros tem um poço artesiano. Aqui o assunto é outro: o método de decisão, quem decide o quê e em que momento.
Geofísica define onde, projeto define até onde
Essa separação evita a maior confusão do assunto. O estudo geofísico que a gente faz (caminhamento polo-polo, linha de cerca de 100 m) investiga da ordem de 35 m. As configurações que olham mais fundo pedem 80 m ou mais em linha reta, e na maioria dos terrenos esse espaço não existe. Então a geofísica é muito boa para escolher o ponto, mas não é ela que crava a profundidade final.
Quem fixa a meta é o projeto, com base em tudo o que se sabe antes de furar. E quem dá a palavra final é o próprio furo, metro a metro.

Primeiro passo, ler a geologia do local
Antes de qualquer visita, a gente coloca a localização do terreno sobre o mapa geológico e o hidrogeológico. A pergunta é simples: sedimento ou rocha? Em Boa Vista e entorno, os sedimentos da Formação Boa Vista têm espessura que varia de cerca de 15 m a 120 m e assentam sobre basaltos e andesitos da Formação Apoteri ou sobre granitos. No topo é comum um horizonte de laterita, duro, de 1 a 5 m.
Na maior parte do estado o subsolo é rocha cristalina. A água fica no manto de alteração, que pode chegar a cerca de 30 m, e nas fraturas abertas. Cada cenário leva a uma meta diferente e a um método de perfuração diferente.

O que os poços vizinhos e o SIAGAS contam
Poço vizinho bem documentado vale ouro, porque é um furo real no mesmo ambiente. O SIAGAS reúne poços cadastrados com profundidade, nível e, às vezes, perfil e teste. Mostramos como consultar em dados de poços em Roraima.
| Fonte | O que informa para a profundidade | Limite |
|---|---|---|
| Mapa geológico e hidrogeológico | Tipo de aquífero e de rocha esperados | Escala regional, não enxerga o seu lote |
| Poços vizinhos | Profundidade real, nível, material atravessado | Em rocha, vale pouco se o poço estiver longe |
| SIAGAS | Profundidade, nível, perfil e teste de poços cadastrados | Nem todo poço está cadastrado |
| Caminhamento elétrico | Ponto mais favorável e contrastes até cerca de 35 m | Não fixa profundidade final |
| SEV Schlumberger | Profundidade aproximada da rocha num ponto | Precisa de espaço para abrir os eletrodos |
| Perfil litológico na perfuração | O que existe de verdade, metro a metro | Só existe depois de furar |
SEV para saber onde começa a rocha
Quando há espaço, a sondagem elétrica vertical complementa o caminhamento. Os eletrodos abrem simetricamente em torno de um ponto, e quanto mais abrem, mais fundo a leitura chega. O resultado ajuda a estimar a profundidade do embasamento. Em sedimento, isso diz se o poço vai ficar todo na areia ou se vai encontrar rocha; em área de rocha alterada, dá uma ideia da espessura do manto.
Como o projeto fixa a meta
Com geologia, vizinhos e geofísica na mesa, o projeto define uma meta de profundidade e o tipo de poço. Entram nessa conta:
- a demanda de água (casa, criação, várias casas, irrigação);
- o aquífero alvo e a profundidade provável das camadas produtivas;
- espaço abaixo do nível da água para a bomba trabalhar sem expor as entradas de água;
- trechos que precisam de revestimento cego e cimentação, como laterita e camadas de argila;
- se o poço cabe no semi-artesiano de referência (25 m no 4 polegadas, 30 m no 6) ou se é poço profundo, por metro.
O ajuste em campo pelo perfil litológico
Durante a perfuração, as amostras que sobem do furo são descritas: areia fina, areia grossa, argila, laterita, rocha alterada, rocha sã. Esse registro é o perfil litológico. É ele que confirma a meta ou manda corrigir. Se a camada produtiva já foi atravessada, não há motivo para seguir. Se apareceu rocha antes do previsto, a gente avisa: o trecho com compressor é orçado à parte, por metro, e só segue com o cliente sabendo.
No poço de 60 m que fizemos numa comunidade do Amajari, em 2026, o perfil mostrou rocha alterada, argilosa na maior parte, sem rocha sã até o fundo, com as entradas de água entre 15 e 40 m. É esse registro que diz onde os filtros devem ficar, e o teste de bombeamento mediu 3,5 m³/h. Esse perfil vira o perfil construtivo entregue com o poço: se um dia precisar de manutenção, qualquer técnico sabe exatamente o que tem lá embaixo.
Checklist de decisão da profundidade
- Localização do terreno sobre mapa geológico e hidrogeológico.
- Levantamento de poços vizinhos e consulta ao SIAGAS.
- Uso da água e demanda diária definidos.
- Em rocha, ou com dados contraditórios: estudo geofísico para o ponto e SEV, se couber.
- Meta de profundidade e tipo de poço no projeto, por escrito.
- Regra combinada para o caso de aparecer rocha.
- Perfil litológico descrito durante a perfuração.
- Filtros posicionados pelo perfil, não pela meta.
- Teste de vazão para fechar vazão e bomba.
Por onde começar no seu terreno
Se quiser, me manda a localização pelo WhatsApp e o uso da água. A gente faz a primeira leitura geológica e diz se o caso já tem dado suficiente para fixar a meta ou se vale a geofísica antes de furar.
Perguntas frequentes
Posso pedir para furar mais fundo por segurança?
Pode, mas furar abaixo da última camada produtiva custa por metro e não acrescenta água. A gente prefere que o perfil diga onde parar e que a bomba seja posicionada pelo nível medido no teste.
A profundidade do orçamento pode mudar durante a obra?
Pode. No semi-artesiano a profundidade é de referência. Se aparecer rocha e precisar de compressor, o trecho é orçado à parte, por metro, e combinado antes de seguir.
A SEV mostra onde está a água?
Não diretamente. Ela mostra como a resistividade muda com a profundidade num ponto, o que ajuda a estimar onde começa a rocha. A interpretação é do geólogo, junto com a geologia local.
O perfil litológico fica com o cliente?
Fica. Todo poço sai com perfil litológico e construtivo, relatório do teste de vazão e ART. É o registro do que tem lá embaixo.
