Resposta curta: O custo para perfurar um poço artesiano em Roraima depende primeiro da geologia: em sedimento, o furo é rotativo e avança rápido; em rocha, entra compressor e martelo, cobrado por metro. Depois vêm profundidade, diâmetro, distância de Boa Vista, energia no local e estudo prévio. Para comparar orçamentos, peça por escrito, item por item, o que está incluso.
Dois poços no mesmo município podem ter custos bem diferentes, e quase nunca é porque alguém está cobrando caro. É porque o subsolo, o método e o que vai dentro do poço mudam. Este texto explica o mecanismo de cada fator. Os preços dos modelos de tabela estão em quanto custa um poço artesiano em Roraima.
Sedimento ou rocha, o fator que mais pesa no custo do poço
Roraima tem dois grandes ambientes de água subterrânea. Na região de Boa Vista predominam sedimentos areno-argilosos, onde a água está nos poros entre os grãos. Na maior parte do estado, o subsolo é de rocha cristalina ou vulcânica, e a água fica no manto de alteração (a rocha decomposta por cima) e nas fraturas da rocha sã. No mapeamento estadual, esse manto pode chegar a cerca de 30 m (Campos, 2003).
Em sedimento, a perfuratriz avança relativamente rápido e o poço cabe, muitas vezes, num modelo semi-artesiano. Em rocha, o avanço é mais lento, o desgaste de ferramenta é maior e a água depende de achar fratura. Por isso o trecho em rocha é cobrado por metro.

Rotativo ou rotopneumático, por que o método muda o preço
Poço todo em sedimento é perfurado pelo método rotativo com fluido: a broca gira e um fluido circula para trazer o material cortado e segurar a parede do furo. Quando aparece rocha, o método passa a ser o rotopneumático: compressor de ar e martelo de fundo, que quebra a rocha por impacto. Isso exige mais equipamento no campo, mais combustível e mais tempo.
A perfuração por percussão ainda aparece em alguns orçamentos. É um método ultrapassado, e a Natural não usa.
Os fatores que mexem no custo, lado a lado
| Fator | O custo sobe quando | O custo desce quando |
|---|---|---|
| Geologia | Há rocha antes da profundidade necessária | O furo fica todo em sedimento |
| Método | Precisa de compressor e martelo (rotopneumático) | Basta o rotativo com fluido |
| Profundidade | A necessidade de água pede mais metros | A camada que dá água está rasa |
| Diâmetro | O uso pede 6″ (furo de 8″) | 4″ atende o consumo |
| Distância e acesso | Município longe, estrada ruim, travessia | Obra em Boa Vista ou perto |
| Energia no local | Não há rede e precisa de solução solar | Já existe energia perto do poço |
| Estudo prévio | Entra geofísica antes de furar | O caso é simples e não pede estudo |
Repare na última linha. O estudo prévio aumenta o valor da obra, mas é ele que reduz o risco de furar no lugar errado, que é o maior desperdício possível num poço em rocha.
Profundidade e diâmetro do poço
Mais metros significam mais tubo, mais pré-filtro, mais horas de máquina e mais diárias de equipe. Um poço de 60 m leva de 3 a 5 dias só de perfuração. O diâmetro segue a mesma lógica: o poço profundo é sempre tubulado em 6″, com furo de 8″, o que dá espaço para bomba maior e mais vazão, e custa mais por metro do que o 4″.
A profundidade certa não se escolhe no orçamento. Ela sai do perfil do furo e do teste. O raciocínio está em como determinar a profundidade certa para um poço artesiano.
Distância, acesso e energia no local
Todo o material sai de Boa Vista: tubos, pré-filtro, cimento, bomba, cabos. A obra viaja com perfuratriz, compressor, caminhão 4×4 e equipe de quatro pessoas. Quanto mais longe e pior a estrada, maior o deslocamento, que vem calculado na proposta.
A energia muda o projeto da bomba. Bomba submersa precisa de rede elétrica próxima e cabo na bitola certa para a distância. Onde não há energia, existe bomba solar, que normalmente trabalha junto com reservatório. A escolha da bomba está em qual a melhor bomba submersa para poço artesiano.
Estudo geofísico antes de furar, custo ou economia
A gente usa eletrorresistividade com equipamento próprio. O levantamento mostra variações do subsolo e ajuda o geólogo a escolher onde perfurar. Não mostra “a água” em cor nenhuma: zonas de menor resistividade indicam material mais úmido, argiloso ou fraturado, e a leitura é feita junto com a geologia local.

Em terreno de rocha, o estudo costuma sair mais barato do que um furo no lugar errado. Detalhes em estudo geofísico para poço artesiano.
Como comparar dois orçamentos de poço item por item
O que a gente vê em campo: quando alguém manda dois orçamentos para comparar, a diferença de valor quase sempre está no que um deles não escreveu. Use esta lista e peça as respostas por escrito.
- Qual método de perfuração vai ser usado e o que muda se aparecer rocha.
- Profundidade de referência e preço do metro excedente.
- Diâmetro do furo e do revestimento.
- Tipo de tubo: PVC geomecânico ou tubo comum.
- Filtro de fábrica e pré-filtro, ou filtro improvisado.
- Selo sanitário, laje de proteção e tampa.
- Desenvolvimento e limpeza do poço.
- Teste de vazão com relatório entregue.
- Bomba incluída ou não; potência; chave e cabo.
- Perfil construtivo e ART no nome do responsável técnico.
- Deslocamento, prazo e forma de pagamento.
Se um orçamento não responde metade disso, ele não é mais barato. Ele só está incompleto.
Por onde começar a orçar o seu poço
Manda pelo WhatsApp (95) 98109-5431 a localização do terreno, o uso da água e se tem energia perto. Com isso a gente já diz se o caso é de sedimento ou de rocha, qual método entra e se vale estudar antes.
Perguntas frequentes
Poço em rocha sempre sai mais caro?
Em geral sim, porque o trecho em rocha exige compressor e martelo, avança mais devagar e é cobrado por metro. Quanto custa depende de quantos metros de rocha o furo atravessa.
Por que não dá para fechar o preço exato antes de perfurar?
Porque ninguém vê o subsolo antes de furar. O orçamento parte de uma profundidade de referência e diz, por escrito, como o trecho extra ou em rocha será cobrado.
Preciso de estudo geofísico para um poço de casa?
Nem sempre. Em área de sedimento, com poço semi-artesiano, muitas vezes não. Em rocha, ou quando o investimento é maior, o estudo reduz o risco de furar no lugar errado.
O gasto de energia da bomba entra no orçamento?
Não. O consumo depende da potência da bomba e das horas de uso por dia, e o valor em reais sai da tarifa da sua conta de luz.
